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LANCHE EQUILIBRADO NAS ESCOLAS

Preocupar-se com o lanche das crianças é mais do que uma tarefa corriqueira. Hoje, é uma questão de saúde pública. De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 15% das crianças com idade entre 5 e 9 anos estão obesas. Daí a urgência de estar atento ao que as crianças estão comendo. Vale revermos sempre a lancheira dos pequenos e adequá-la com as opções mais nutritivas. E lembrar que nenhuma dieta da moda, como as que excluem deliberadamente o glúten e a lactose, por exemplo, devem ser seguidas por uma criança sem a devida orientação médica.

O foco é comer de tudo com equilíbrio e tentar não deixar a correria do dia a dia ser a justificativa para escolher opções práticas, porém menos nutritivas. Infelizmente, 40% das crianças estão em estado de sobrepeso. A americanização dos hábitos, com porções maiores e densidade nutricional menor (muitas calorias e poucos nutrientes), é um dos fatores que mais contribui para o índice de sobrepeso.

O excesso de bolos muito açucarados, biscoitos recheados, de refrigerantes e sucos adoçados eleva essas taxas. Segundo a nutricionista vice-presidente da Apfit (Associação Paulista de Fitoterapia), Dra. Vanderli Marchiori, o consumo desses alimentos quintuplicou e as crianças também pararam de consumir mais frutas nos lanches, por exemplo. De acordo com ela, para reverter esse cenário “não se trata de excluir esses alimentos, mas de comer com menos frequência e em porções reduzidas”.

Outro ponto de atenção para pais e cuidadores é a importância de levar em conta que as porções infantis devem ser proporcionais ao tamanho das crianças. A referência para uma porção é a do tamanho do punho da criança fechado, que corresponde ao tamanho do estômago.

Entramos em contato com a Dra. Erika Toassa, nutricionista com mestrado em nutrição humana pela USP, para pedir algumas dicas sobre a melhor maneira de preparar uma lancheira.

Qual é a melhor dica para os pais que não têm muito tempo de elaborar as lancheiras?

Planejar as lancheiras com certa antecedência! A ideia é se organizar para não acabar a semana levando sucos industrializados e bolachas.

Para facilitar o dia a dia e ter boas opções para a semana, costumo produzir os bolinhos, as tortas e os pães no fim de semana e deixá-los congelados em porções individuais, assim, basta tirar do freezer na noite anterior ao consumo, mantendo-o na geladeira até o momento de ir para a lancheira.

O que não pode ficar de fora da lancheira?

A alimentação completa e saudável é essencial para o crescimento e o desenvolvimento das crianças!

Assim, na montagem das lancheiras, o ideal é combinar pelo menos uma fonte de vitaminas e minerais, mais uma fonte de carboidrato e/ou uma fonte de proteína, mais uma bebida.

Um exemplo de lancheira: manga picada, bolinho de banana com aveia e suco de abacaxi.

Quais alimentos devem ser evitados?

Sucos industrializados com alto teor de açúcares; salgadinhos empacotados, pela quantidade de sódio e baixo teor de nutrientes; bolachas recheadas; balas; doces; e outras guloseimas.

Se considerarmos que uma criança faz pelo menos cinco refeições por semana na escola, essa informação deve ser tida como uma oportunidade para a construção de hábitos alimentares saudáveis, e não levar em conta apenas a praticidade para a escolha dessa refeição.

Qual a importância de ter alimentos derivados do trigo na lancheira das crianças?

O trigo, assim como os demais alimentos fontes de carboidratos, é o combustível do corpo. Alimentos como pães, torradas, bolos e tortas devem, sim, fazer parte da lancheira das crianças para dar disposição e energia, importante no processo de aprendizagem.

No entanto, é importante respeitar algumas regras que farão com que seja ofertado na proporção correta. A lancheira é uma composição de alimentos, dentre eles pães ou bolos, frutas e bebidas. A quantidade de carboidratos que deve ser consumida diariamente varia, dependendo da idade e também do quanto de energia a criança gasta.